Um relato sobre minha viagem ao Peru

Minha intenção era ir escrevendo sobre o que ia vendo e vivendo durante este meu caminho pelo Peru…. mas entre a pretensão e a experiência real, escolhi deixar-me envolver pelas experiências, postergando para um outro momento a minha relação com as palavras e com os meus intermináveis e inquietos pensamentos. Leitores ávidos de fatos extraordinários ou trepidantes podem parar aqui mesmo no primeiro parágrafo, por que esta viagem resumida em poucas palavras se define como paz, céus azuis, silêncios, convívio, natureza e cores.

Tudo esta muito vivo e intenso em minha memória e coração. De fato ainda não voltei de onde estive. Ainda estou em algum lugar destes tantos, ainda  sentindo tudo muito vivamente, essa experiência intensa   com pessoas de costumes tão distintos dos de meu país. Contrapor, observar, revisar valores ou simplesmente contemplar.

Sempre existem pontes e aspectos em comum entre nós humanos de todos os lugares.. mas o incomum chama ainda mais atenção. Porém o que nesse momento gostei em mim foi o fato de não ter feito como na canção de Caetano que diz que “Narciso acha feio o que não é espelho…” Gostei de perceber que algo naturalmente em mim está aberto para viver a experiência de forma integral, sem ajuizar se algo é bom ou ruim… melhor ou pior…apenas viver, experimentar e desfrutar.

Gostei muito de conhecer uma das fronteiras mais distante de meu país, o Acre, de entrar no Peru via selva amazônica, ver a construção da Estrada Interoceânica que nos ligará para sempre ao Pacífico e ao Peru assim como eles a nós… ao Atlântico e ao Brasil. Para chegar nessas regiões longínquas contei com a boa vontade de minha amiga Ana Beatriz que foi de Porto Velho me ver em Rio Branco, me levou para a casa de outra amiga, Luana. Ambas me apoiaram carinhosamente nesse início de viagem, além de termos passado uma tarde deliciosa em um igarapé dançando e tomando uma cervejinha. Lugar lindo. Amei tomar um banho doce naquele lugar. Atravessei a ponte que nos liga ao Peru sozinha, não havia ninguém por lá. A ponte é bonita e moderna. Entrei no Peru em 1º de maio. De um lado Assis Brasil, de outro Iñapari. Daqui para adiante não se fala mais português.

Na manhã seguinte já parti sozinha num táxi dividido por 4 pessoas. Gostei de ver as matas amazônicas ladeando a longa estrada de terra em linha reta descortinando-se à minha frente… Eu mais as duas peruanas que vieram passear no Acre e em Rondônia… Havia mais um peruano também. Elas iam viajando de noite para economizar nos hotéis e já estavam indo para Lima. Nós todos num táxi velhinho rasgando aqueles belos caminhos… O  taxista criou uma engenhoca que eu nunca havia visto: ligar um diskman através de um cabo a um gravador cassete com uma fita que não tocava e a mais umas caixas de som para tocar musica em mp3 no som do carro… bem…a engenhoca funcionava e eu fiquei extasiada com a criatividade e a inovação tecnológica…devia te fotografado…hehehe..

Toda a minha viagem foi boa… toda, desde o início até o fim. Só encontrei coisas boas, lugares belos, pessoas bondosas comigo. Isso repercutiu bem em meu coração, que tantas vezes se vê doído e massacrado pela a solidão, pela vulgaridade, pela dureza das pessoas, pelas as maldades que vejo estampadas nos jornais e nas ações dos políticos de todas as partes. Minha reserva de fé na vida recebeu um bom aporte.

 Em Puerto Maldonado, que é selva amazônica peruana, realizei o sonho de conhecer a floresta, as reservas, os grandes rios  Madre de Diós y Tambopata. Inesquecível reservas de Taquirai, árvores imensas, pontes de cordas sobre as altíssimas árvores, à 50 m  de altura ou mais, lagos rodeados de selva, abraços de meu lindo macaquinho negrito, onças, gatos do mato, serpentes, risos… O meu amiguinho Hilmer Valderrama, dono e condutor do barco Quillambambino. Ele me levou a conhecer lindos lugares, dias e noites no barco, bom amigo que caminhou na mata comigo levando-me a tantos lugares, ensinando-me, cuidando-me e protegendo-me. Sempre o recordarei.

 Dançar, minha eterna paixão…  La Choza em Puerto Maldonado, lugar protótipo do que me agrada…amei amei amei…aprender a dançar o taquirari (dois passos para um lado e um para o outro, é desencontrado assim mais dá certo) a saya, o huayno, a cumbia, a salsa, a morenada e até forrozinho brasileiro, à moda deles, é claro.

Comidinhas da selva, muito exóticas e interessantes, particularmente tacacho (uma massa temperada de banana da terra cozida) e trucha a la plancha…

Mas a viagem recém estava começando e eu dei adeus a Puerto, com promessas de retorno. Será que a ironia do destino não mais me permitirá voltar? Existem tantos lugares que eu prometi voltar e não pude! Não posso evitar certo temor e melancolia.

A viagem de Puerto Maldonado a Cuzco foi pesada, mas nada também tão insuportável. São muitas longas horas subindo a Cordilheira. Ao invés de ir de avião, numa viagem barata e de apenas uns 40 minutos, fiquei maquinando se devia ir de ônibus. Pensei 3 dias sobre o assunto, porque não pareciam lógicas as alternativas. Mas optei pela ilógica, ou seja, por ir  naquele ônibus velho, estrada de terra ruim e perigosa, bordeando abismos, de tudo fora avisada,  numa viagem que sabia que seria lenta e cansativa. À parte de tudo isso também sentia  medo de sentir o tal ameaçador   soroche, o qual felizmente  não tive mais que uma certa tontura e pressão na cabeça. Mate de coca e respirar um pouquinho de álcool ajudam. E ficar quietinha. Mas o fato de tudo isso entendo que era porque tinha um encontro com o meu destino. Fui para encontrar Jesús, uma linda e especial pessoa, alguém que eu precisava conhecer.

 Apesar de ter lido tanto sobre as mais famosas cidades do Peru, especialmente sobre a Imperial Cuzco y Machupicchu, cartões postais do turismo, conhecida exaustivamente por fotos e relatos de outros viajantes, nada se comparou a estar e mais que isso, a compreender o que representou. Situar-me histórica, cronológica, culturalmente entre os povos da América pré-hispanica, dar-me conta de povos que viveram a 10 000 anos AC, 5000 AC, 3000 AC…, Culturas como a Moche, Chavin, Paracas, Nazca, Tiahuanaco, Recuay, Wari, Lamabayeque, Chimu para  citar algumas, não na ordem descrita, e enfim culminar na esplendorosa cultura Inca, nascida em 1400 DC até  a sua destruição e extinção pela mãos dos espanhóis, da forma mais violenta  possível, no ano 1532.  Me emocionei  fortemente  com o contato com estes fatos dolorosos.  Ainda me pergunto como foram capazes de genocídio.

Hoje, no Peru moderno, existem cerca de 26 milhões de pessoas. Os seus habitantes falam o castelhano, mas pelas ruas e mercados, transportes enfim em todos lugares, ouvi na maior parte do tempo o quéchua, mas também  o aimara, e outras línguas indígenas.  Em Cuzco assisti uma missa em quéchua, e a igreja estava lotada.

Cultura e culturas assim é o Peru. Passado que não é recordação, passado que é presente em hábitos e costumes que prosseguem pelos dias de  hoje. A folha de coca não é droga, é uma planta maravilhosa e benéfica, já estava na boca das figuras dos vasos de cerâmica cerimonial da cultura Mochi,  continua no dia à dia dos que vivem por lá…(e isso não tem nada a ver com a relação que se construiu bem depois com a sua alteração perversa), está nas construções de adobe centenárias  e prosseguem presentes nas excelentes construções atuais, está nas lindas queperinas tecidas manualmente. Essa belas e multicolores mantilhas que via  mulheres e homens que tecendo quase sempre, seja enquanto descansam ou enquanto caminham nos “caminos polvorientos”, para  recordar a música de Picaflor de los Andes.

 O que eu vou comentar de Macchupicchu, Q’engo, Pucapura, Tambomachay,Tipon,Ollantaytambo, Sacsayhuman, será muito pouco. Minhas palavras estão insuficientes.  Aproveitei muitíssimo do conhecimento dos guias que conheci nos museus e sítios arqueológicos. São muito cultos e bem preparados, e tiveram muito boa vontade e paciência em responder-me às perguntas. Mas não poderei transmitir de forma ideal, há muito que ler para começar a compreender o que foi a cultura incaica, sua complexidade e evolução.

O espetáculo das montanhas verdejantes e gigantescas donde está incrustada Machupicchu recém descoberta, já em si valeria a viagem, ainda que lá não tivesse sequer uma choupana. Quanto mais que está àquela grandiosidade.  O lugar é delicioso de estar.. Passei um bom tempo deitada na grama da área central da cidadela de Machupicchu, somente contemplando o céu. Simplesmente estar. Que mais poderia relatar. Tudo se passa dentro, e as palavras me traem. São poucas.

Fim de dia em Águas Calientes. Agora um banho nas águas termais para descansar o corpo das caminhadas. Fora tudo gelado, dentro uma água bem quentinha de fontes naturais. Na volta escutar os silêncios da noite e o som do rio Urubamba correndo e batendo nas pedras.  Então só mesmo uma “caminha calentinha” porque os peruanos pensam que nós, brasileiros usamos diminutivos para todas as palavras e costumam criar palavras que supõem ser português, só que usam a palavra em castelhano com o nosso sufixo inho o inha e fica bem engraçado. Mas estava muito frio, o trem de volta saía de manhã bem cedinho, não dá vontade de sair da cama. Mas lá não existe jeitinho brasileiro… Perdeu não tem mais jeito, só outra passagem.

Na região de Cuzco tem muitos lugares interessantes para ir, sobretudo para os viajantes, gente que anda sem pressa, olhando para o tempo e para coisas que as agências de viagem não comentam com sendo importante. Ou seja, viajantes estão viajando e vivendo e é esse o grupo à que pertenço. Os turistas vão para poder “fazer Cuzco e Machupicchu em 5 dias”, algo que não vejo nem lógica e nem sentido. Mas tudo bem.

Como eu adoro “baños termales”, fui a alguns nessas andanças ao Peru. Tomar banho em água quentinha e relaxante. Quem quiser um lugar de luxo não vá porque se decepcionará. Quem gosta de um banho termal de origem vulcânica, vai adorar e sairá novinho em folha. De fato eles têm razão: usamos muitos diminutivos, mas deve ser uma maneira carinhosa nossa de referir-nos ao que nos agrada.

Hora de partir de novo agora, em busca de outro sonho. Huaraz, região dos nevados, não sem antes atravessar outra vez um outro ponto da cordilheira. Essa parte da serra é bem árida. Geograficamente eu saíra da selva para serra e da serra para a costa, em Lima, e de novo voltar a serra, só que agora em Huaraz. Curvas e curvas… Bem é isso.

Passei por Lima um dia e segui viagem. Meu plano era conhecê-la na volta. A região de Huaraz era um objetivo a ser alcançado e longamente acalentado. Era exatamente como eu imaginara. Uma pequena cidade donde se avistam os nevados, os céus sempre azuis e as estradinhas bordeadas de retamas, que são arvorezinhas de flores amarelas e perfumadas. Tem muitas retamas por todos os lados e elas dão um lindo colorido aos caminhos que ficam perfumados, sente-se o perfume por todos os lados. Eu ia naquelas kombis velhas, uma pior que a outra, com Jesús, de um lado para outro, vendo flores amarelas por todos os lados, céus e nevados.

Minha vista queria fotografar tudo na memória, por que me encantava tudo que via. Os tons de verde são diferentes dos nossos, tropicais. São tons suaves e de variados matizes entre o verde, o castanho e o dourado. Não se vê os enormes pastos que temos aqui, mas pequenas áreas de produção de agrícola. Milho, trigo, cevada, favas, ervilhas e outras plantas que não conheço.

Fiquei uma semana pela região, indo de um lugar a outro, caminhando por horas de dia e algumas noites também, contemplando estrelas naquelas estradinhas de terra sem nenhuma iluminação elétrica, num lugar meio perdido da serra,  entre um povoado e outro. Eventualmente um cachorro ou outro latia nos caminhos, estranhando aquela gente andando esquisita por ali aquelas horas desertas…

Para o tanto que gostei e necessitava, fiquei muito pouco pela região da Cordilheira Branca. Realmente necessitava de mais tempo. Preciso voltar lá e terminar de conhecer as lagunas, tantas! de água verde esmeralda, totalmente transparente. Água cristalina e gelada que desce dos nevados. Eu agüentei entrar uns 2 minutos e nada mais!  Totalmente transparente, não tem matéria orgânica como as nossas, folhas etc.. que dão a coloração escura. Eu sou uma apaixonada por lugares e lagos silenciosos. Recordei-me dos lagos do Chile e da Argentina, lembrança permanente em minha memória há muitos anos. Pois é: eu acho que devia ter ficado mais tempo por lá. Tinha muitos outros lugares que ir além da Laguna Llanganuco, Laguna Parón e outras que eu não vi. Não vi, mas preciso ver. A lacuna está aberta.  Voltarei. Preciso.

A impressionante resistência física daqueles homens e mulheres de corpo magro, estatura pequena é algo que realmente impressiona. Nada que se possa cultivar nas academias… Força física e força moral dos sobreviventes do genocídio, séculos de contínuos e diferentes opressores da América latina. O jovem e pequeno Wilder, com seus lindos olhos de índio, ficará para sempre gravado na minha memória… Subindo correndo e sorridente o nevado Pastoruri à 5150m de altitude, com pessoas nas costas! Pois para mim isso foi mais impressionante que aquele enorme nevado de gelo. Eu toquei no seu braço, pedi licença e não resisti.  Queria entender como é que era possível tudo aquilo! Ele riu. Magrinho que só.. mas pura fibra.

Por lá eu dei risada ao ver o que nós batizamos de “perro leon’, um cachorrinho da cor do pelo de um leão, que alguém raspou em formato de juba e cauda de leão”. Eu adorei e fotografei.  O menino todo prosa segurava o bicho para  as fotos. Ainda sobre cachorros lá tem um monte de cachorros vira-latas totalmente peludos tipo samoieda e husky siberiano. Tão lindos andando nas ruas, como os melhores de raça daqui. Fotografei alguns de lindos que são. Dei adeus à Huaraz, ao Callejón de Huayllas, as cidades de Recuay, Yungay, Caraz, Huraz, Carhuaz, onde estávamos em media há  mais de 3000 m de altitude. O nevado de Huascarán é fascinante. Gigante imponente branco que contrasta com o céu azul.  Essa região está muito bem protegida e  cuidada e faz parte do Parque Nacional de Huascarán. Essa região é o berço da cultura Recuay. Aliás, vale comentar que em matéria de preservação eles estão muito bem. Não vi sinais de degradação ambiental gritantes como os que temos aqui.

Dei adeus a Huaraz na convicção de voltar.

Fui à Lima.  Conhecer a capital, claro, mas principalmente para encontrar algumas pessoas com quem convivi ao longo dos anos pela internet. Mas não agüentei ficar por lá. Os amigos muito queridos e bacanas como eu sabia que eram. Porém estava chegando de um lugar paradisíaco e não agüentei a pressão de uma enorme cidade, superpopulosa, ruidosa e com todos os problemas típicos de grandes cidades. Os amigos valeram muito à pena. Mas eu não agüentei a pressão e logo estava indo de lá. Voltei para Cuzco por que Jesús precisava votar. Perder as eleições dá uma multa bem cara. Além do mais era caminho de volta, para chegar a Puno.

Puno em si não tem atrativo e é um gelo. A média de lá são 5 a 10 graus negativos. O que interessa é conhecer o Lago Titicaca, belíssimo. Tão grande que realmente parece um mar, fazer passeios de barco e ir conhecendo as ilhas, as comunidades, os sítios arqueológicos que são tantos. A ilha Taquile é belíssima. Algo me fez lembrar as paisagens que vi em fotos do Mediterrâneo e da Grécia. Não estou bem certa, preciso revisar, mas tenho uma idéia que sim.

Realmente muito interessante visitar as ilhas flotantes dos Uros. Uma ilha flutuante feita de totora, uma planta que nasce no lago. Eles tiveram essa idéia para esconderem-se dos espanhóis. Aí se meteram naquele lago lindo e gelado e criaram esse sistema de moradia flutuante e estão lá até hoje. Vivem de pesca e artesanato. Os jovens uros quando vem estudar na cidade, muitas vezes não voltam porque é frio e úmido demais viver sobre as águas do lago. Acostumam-se com os confortos da cidade…

Gaivotas do lago, lindas, delgadas e brancas. Deu-me muito prazer olhar minhas primas. Olhá-las com esses olhos compridos de que deseja muito poder voar…

Continuei subindo morro e descendo morro, contemplando paisagens e deixando a mente divagar.  Novo adeus… hora de partir. Já devo pensar em voltar. O dinheiro já está menos e eu ainda estou muito longe de casa. Preciso dar adeus ao Peru e ir para a Bolívia.

Decidi ir para La Paz, para de lá voltar ao Brasil. Então tomamos um ônibus por uma rota que não pretendíamos, na verdade erramos. Mas isso foi a providência divina. Fomos pelo caminho que vai por Copacabana e quando o ônibus deu uma parada, resolvemos não seguir. Essa cidadezinha fica na beira do mesmo Lago Titicaca, mas só que é muito mais linda que Puno. E tem algo muito especial para mim. Eu cresci freqüentando a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, algo que muito me marcou. Foi lindo conhecer o santuário de la Virgen de Copacabana, patrona de Bolívia. Ver os lugares de que falam da lenda que a Virgem se encantou por aquele lugar e fico ali. Ficamos em  um hotelzinho que tinha uma vista deslumbrante para o Lago Titicaca. Lindo e azul.  Novos passeios de barco, Ilhas do Sol e da Lua. Belezas sobram por lá.

Hora de partir outra vez.  La Paz, quase anoitecendo. Todos por lá nos amedrontam, avisam que não conversemos com ninguém! Que não tomemos táxis brancos! Perigo, perigo, perigo. A cidade eu não cheguei nem a conhecer, mas o que vi em 2 horas foi suficiente e não gostei. Feia. Bem feia.  Lotada, caótica e perigosa. Na mesma noite parti para Cochabamba, uma linda cidade moderna, com bastantes árvores, flores, ruas largas e limpas que cheguei ao amanhecer. Cidade progredindo. Gostei. Fiquei um pouco por lá.. mas a viagem precisa seguir.  A Bolívia também tem muita coisa linda para se conhecer.

Viajei a noite inteira, inquieta porque seria minha última cidade nas terras dos vizinhos. Já percebia certa familiaridade da vegetação, pois a cordilheira nessa área tem muitas árvores grandes e altas. Minha inquietação e/ou tristeza devia-se à que, de lá, eu voltaria para o Brasil. Ou seja, minha viagem chegaria ao fim.

Atravessei cordilheira outra vez, a última e cheguei a Santa Cruz de la Sierra. Fiquei com vergonha de minha ignorância. Imaginava um pueblito abandonado na fronteira e encontrei uma bela cidade, plana, bem cuidada e  arborizada, com maneiras de progresso. Gostei demais.

Último dia. Angústia pura. Despedida.  Promessas. Palavras. Planos.  Um querer alguma coisa mais. Esperanças. Sonhos do que se planeja realizar muito em breve, mas sentimento doído de  que naquela hora teremos que separar-nos. Aí eu só tenho uma palavra e esta palavra o castelhano, idioma mais que lindo, não tem… A palavra  é saudade, totalmente de nosso idioma.

Avião. Silêncio. Solidão.

De volta ao Brasil. Outro ritmo de coisas, bem mais acelerado. Campo Grande. Muito verde. Muito espaçosa.  Bonita cidade. Bela surpresa.  Voltarei por lá.

Ônibus sozinha agora. Olhando a janela e a lua cheia. Acompanho-me de Enanitos Verdes mais uma vez. Pensamentos de tudo que deixei para trás.

Brasília. Dia do jogo. Preciso alegrar-me. Encontro a minha amiga Teresa que me mima toda vez que eu chego pelas terras do Planalto. Mas fiquei  só por uma tarde. À noite, estrada outra vez.

Barreiras, já na Bahia. Fui passar umas horas no famoso Rio de Ondas. O meu companheiro de ônibus me indicou este lugar e eu fui. Bacana. Quem for por lá deve ir visitar e comer um peixinho às margens desse lindo rio, contemplando um martim pescador e outro que passam voando. As águas cristalinas do rio que tem ondinhas, daí o nome. Horas de calma. Bom lugar. Voltarei por lá e não demora. É perto, só uma noite de viagem.

Quero conhecer mais do centro-oeste, das terras do Mato Grosso do Sul e do Tocantins.. de Pirinópolis de Goiás com suas 170 cachoeiras, ou seja lá quantas tenha que são tantas! Aqui no Brasil é assim, tudo é um exagero de beleza e exuberância.

 Finalmente chego a Salvador, debaixo do maior temporal.  Mas aí já  é outra história e esta termina aqui.

Alguns links sobre o Peru.

http://www.viegasdacosta.hpg.ig.com.br/urda/machupichu.htm

http://www.geocities.com/gualberto_v/index.html

http://www.geocities.com/ancashhighlands/indexcaraz.html

http://www.perutoptours.com/index02anpnhuascaran.html

http://www.perutoptours.com/index07cu.html

http://www.perutoptours.com/index07cucity.html

http://www.perutoptours.com/index00peru.html

 

 

 

 

 

 

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Acerca de gaivotanoazul

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11 respuestas a Um relato sobre minha viagem ao Peru

  1. Jianwen dijo:

    hello..nice to meet u~

  2. frederic dijo:

    Hello; my name is starfishpool. You ave a beautiful space but I don\’t understand what you talking. My english is not a very good but I just want to say you good luck. If you want coming to see my world, you can come when you want.
    See you soon.
    Starfishpool 🙂

  3. CHEUK KAN dijo:

    你係咪GOOD FIGHT AR X U

  4. Jianwen dijo:

    Bonjour.Bien que je ne puisse pas parler français,Mais je suis disposé à essayer..Vous faites maintenant n\’importe quel métier.Haha…

  5. Alessandro dijo:

    =(¨`•.•´¨)           (¨`•.•´¨)     `•.¸(¨`•.•´¨)        `•.¸(¨`•.•´¨)       `•.¸.•´           `•.¸.•´
           “Special“is a wordthat is used to describesomething one-of-a-kindlike a hugor a sunsetor a person who spreads lovewith a smile or kind gesture.
       (¨`•.•´¨)           (¨`•.•´¨)     `•.¸(¨`•.•´¨)        `•.¸(¨`•.•´¨)       `•.¸.•´           `•.¸.•´
          “Special“describes peoplewho act from the heartand keep in mind the hearts of others
           (¨`•.•´¨)          `•.¸(¨`•.•´¨)           `•.¸.•´
            “Special“applies to something,that is admired and preciouswhich can never be replaced.
       (¨`•.•´¨)           (¨`•.•´¨)     `•.¸(¨`•.•´¨)        `•.¸(¨`•.•´¨)       `•.¸.•´           `•.¸.•´
                (¨`•.•´¨)              `•.¸(¨`•.•´¨)                `•.¸.•

  6. Jesús Alejandro dijo:

    HOLA !!
     
        TE ESCRIBO DESDE GUADALAJARA MÉXICO, TU ESCRITO DEL VIAJE ES MUY BUENO!!

  7. Alessandro dijo:

    HELLO , TO SPACES ES  beautiful .
    TEHKS FOR VISITS…
    OK.!!

  8. Gabi dijo:

    Que bello que te gusto mi pais 😀 tienes q cumplir tu promesa pues. a ver cuando nos visitas de nuevo …
    Beijinhos
    http://www.gabiotita.tk

  9. Alessandro dijo:

    Venho movido pela saudade da minha amiga Gaivota, já que não tenho encontrado tempo para estar, de fato, no msn. E encontro aqui o mesmo texto que já havia lido em outra ocasião. E digo-lhe novamente, Gaivota: ficou lindo!
     
    Beijão! 🙂
     
    A. de Paula

  10. Gabi dijo:

    ola prima!!! 😀  bueno yo me llamo GABI pero muchos me llaman GABIOTA (algo asi como el superlativo de mi nombre) o GABIOTITA (el diminutivo, como podria decir a la cama:camita o camota). Mas si hablamos del ave marina entonces eso es en español GAVIOTA (parecido no?) lo que en portugues es GAIVOTA (y en aleman MOWE). Por el momento no hablo mucho portugués, pero dentro de un año espero q si, pero como tiene bastante similitud al español (obvio son lenguas latinas) lo entiendo … pero lo aprenderé (me gusta mucho estudiar lenguas).
    Agora Eu termino aqui, beijinhos 😀
    A bientôt 😀
    PD. Si no has leido aun el libro de Richard Bach, "Jonathan Livingston Seagull " (Fernão Capelo Gaivota), te lo recomiendo es bellisimo!!!

  11. Unknown dijo:

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