Violência, Tortura,Injustiça e Morte I

Comer carne, uma forma de violência?


A situação dos animais de consumo nos convida ao vegetarianismo, ou no mínimo a uma reflexão sobre nossos hábitos carnívoros.

Se remontarmos, por exemplo, à época de Jesus, o sacrifício de animais era umadesculpa para os homens ingerirem carne, e Jesus contestou o sacrifício de animais a cada passo. Ele proibiu a venda de animais para sacrifício e o consumo no templo,instituiu o batismo em lugar do sacrifício dizendo que Deus “requeria piedade, não sacrifício” e eliminou completamente o sacrifício de animais na Última Ceia (refeiçãovegetariana da Páscoa).

Pense um pouco: se você mata ou colabora na morte dos seres pagando a outros para que matem por você, implicitamente está apoiando uma forma de violência. Por conseqüência, todas as outras violências ficam mais fáceis.
Há pessoas que dizem: já está morto, então vou comer…de qualquer forma ela passou a apoiar os que mataram, toda a estrutura que vive desta violência. Há ainda os que acham que estes animais foram criados para isto e que, portanto, tal fatolegitima a violência de sua morte, ora, tal argumento serviria para qualquer morte.

Se assim fosse, também poderíamos criar seres humanos para o sacrifício e seriammortes justificáveis.A raiz desse pensamento é a idéia de que nós homens somos proprietários dos outros seres.

Na realidade, todos os seres estão conosco no mesmo lugar, a Terra. À medida que o homem ganhou consciência, não cabe mais no simples papel de predador. Ele se encaminha para ser algo muito maior e esta é a razão da mudança de suas atitudes
em evolução.

Milhões de frangos, perus, patos, gansos. Bois, carneiros, cabritos, porcos, etc., são diariamente mortos sem piedade para atender exigências do mercado da carne.

Podemos dizer que os seres humanos comem praticamente todos os tipos de animais. Desde camelos e cavalos no deserto, tigres, javalis e elefantes na África, avestruzes e cangurus na Oceania, até bichinhos, como paca, tatu, cotia, capivara, ouriço, gambá, cobras, gatos-do-mato, macacos, tanajuras, peixes-boi, botos, peixes-elétricos e muitos outros devorados no Brasil (a maioria passando por sofrimentos extremos). Animais estranhos como cobras e ratos (China), baratas, lagartas, larvas, formigas e gafanhotos (Tailândia) também fazem parte dos incomuns hábitos alimentares da humanidade.

Bovinos

Como são mortos


Mesmo hoje em dia, o processo de abate permanece primitivo e violento. Animais entram no abatedouro um a um. Os criadores mais bem aparelhados, usam um revólver pneumático atordoador, mas, é muito comum a marretada na cabeça, nem sempre certeira. Quando é chegada a hora do abate, os animais, em geral, são forçados a entrar num corredor estreito. Desesperam-se, tentando fugir de todas as formas, viram-se de um lado para o outro, os olhos cheios de terror. Sentem o cheiro do sangue dos companheiros mortos e recusam-se a seguir adiante. Alguns, já sem força, caem; os que permanecem de pé são forçados a prosseguir, tangidos a choques elétricos. Ao final do percurso, um por um, são contidos em pequenos boxes e covardemente massacrados: recebem marretadas, tantas quantas forem necessárias, até que tombem. Os golpes lhes causam mutilações nos chifres, olhos e focinho.

 

São então suspensos – alguns às vezes ainda vivos – por uma das patas traseiras;seus músculos se rompem em virtude do grande peso de seus corpos. Operários com longas facas cortam a garganta de cada animal, na veia jugular e carótida, deixando-o sangrar até a morte, pendurado de cabeça para baixo.

No Brasil, este procedimento é comumente empregado no abate de bovinos. Porcos, cabras, ovelhas, aves e outros animais são igualmente abatidos com idêntica brutalidade, mas sem o uso do atordoamento.

Manejo
Qualquer que seja o lugar do mundo, o gado é sempre exposto a duras condições, sofrendo manejo bruto e, freqüentemente, crueldades no decorrer de suas curtas vidas. Só nos Estados Unidos, onde cada cidadão come sete bois de aproximadamente 500 kg em toda a sua vida, mais de 100 mil cabeças de gado são abatidas a cada 24 horas.

Principalmente no Brasil, o gado é rotineiramente castrado, seus chifres arrancados, e seu corpo é marcado a ferro quente sem anestesia. Estes procedimentos são realizados somente para benefício econômico e conveniência dos produtores de carne.

Ao pastar a céu aberto, eles são expostos a condições climáticas extremas, que vão desde calor insuportável até tempestades e secas. Muitos animais sofrem e morrem de calor, frio, sede, fome, doenças e envenenamento por plantas tóxicas.

Após diversos meses no campo, o gado é transportado para locais de engorda , o que é feito através do fornecimento de grãos . Nesse local, dezenas de milhares de animais são apinhados em áreas lamacentas, infestadas de moscas e cheias de estrume, onde o estresse os torna suscetíveis à febre e a outras dolorosas doenças debilitantes. Defender-se das moscas pode fazer com que eles percam um ou dois quilos por dia, por isso os produtores os pulverizam regularmente com inseticidas altamente tóxicos.

Engorda
O gado não se adapta de imediato a comer grandes quantidades de grãos. A mudança fisiológica abrupta na dieta de grama para grãos causa dolorosos problemas digestivos, principalmente flatulência.


Para aumentar o ganho de peso e reduzir os custos alguns produtores adicionam papelão, jornais, serragem e até pó de cimento à ração. Outros preferem adicionar estrume de aves e suínos ou esgoto industrial e óleos.

Transporte
Quando atingirem o peso ideal, os animais são transportados por caminhões até os matadouros. Freqüentemente são manejados com brutalidade: levam choques elétricos de aguilhões, são chutados e arrastados. Podem ser privados de alimento e água e sofrer exposição a condições ambientais difíceis por longos períodos.

Caminhões que transportam gado estão sempre superlotados, o que resulta em quedas, pisoteamento e lesões durante o transporte. Os animais que sofrem trauma de pernas, pelve, pescoço ou perna, são arrastados para fora dos caminhões até o piso do matadouro, onde, muitas vezes, agonizando de dor, chegam a esperar horas para ser abatidos.

Animais que estão doentes demais para morrer não recebem eutanásia. Em vez disso, podem ser jogados na “pilha de mortos” e deixados para morrer de doença, sede fome ou hipotermia.

Nos Estados Unidos, embora seja requisito de Federal Humane Slaughter Act de 1958 e revisto em 1978 (com exceção de abate kosher e de outras recomendações religiosas), o atordoamento nem sempre é feito com sucesso, devido à incompetência, à indiferença ou à deficiência do equipamento.

Abate religioso

Existe um tipo de abate de cunho “religioso” que segue o preceito segundo o qual não se deve ingerir alimentos com sangue, como praticado para a produção de alimentos judaicos, a chamada comida kosher talvez seja pior que a habitual, pois é marcado por excepcional requinte de crueldade.

Vacas e seus bezerros

Vacas são mães atenciosas e sensíveis. Basta ver como lambem carinhosamente as suas crias e como essas necessitam da companhia de suas mães. Não se permite nem ao menos que as vacas vejam a sua cria, pois do contrário não conseguiriam permanecer tranqüilas . Elas costumam agitar-se e gritar desesperadamente quando são afastadas do filhote. E assim começa uma das maiores crueldades que o ser humano pode cometer contra os animais: a indústria da vitela.


Vitela – o que você não vê

Sendo uma carne alva, tenra e considerada deliciosa, a vitela é apreciada em todo o mundo. Conseqüentemente, é uma das comidas mais caras que se conhece, o que estimula a ambição dos criadores, em sua ânsia por lucros.

Assim que nascem, os bezerros machos são retirados da presença da mãe e isoladas em compartimentos individuais onde recebem um banho frio e passam a se alimentar com leite fornecido não em tetas, mas em recipientes ou canaletas.

O ato de sugar, importante para esses pequenos seres, não lhes é permitido, o que produz um alto índice de ansiedade. Costumam então sugar qualquer coisa que lhes é dada, como dedos, pontas de roupas, etc.

Confinamento
Sua carne deve ser branca e macia. Para isso é necessário que os músculos dos animais não se tornem avermelhados, como os tecidos de vacas adultas. A técnica de produção da vitela mostra que é preciso evitar a atividade muscular para impedir a oxigenação dos músculos. Para isso, os animais devem ser mantidos em pequenas celas que impeçam seus movimentos.

Depois de um tempo, os animais são forçados a permanecer em pequenos currais individuais onde somente conseguem ficar de pé com o pescoço virado para a direita ou para a esquerda.

Em dias alternados, funcionários mudam a cabeça do animal cada dia para um lado. Raramente têm a cabeça voltada para frente com o pescoço esticado, pois isso permitiria a movimentação dos músculos do pescoço. Esse processo é mais comum algumas semanas depois do nascimento.

Alimentação
Ainda para evitar o tingimento dos músculos, os bebês são forçados a uma dieta completamente isenta de ferro, o que lhes provoca uma fraqueza profunda.

A ausência do mineral em seus corpos produz uma grande ansiedade por tudo aquilo que possa conter ferro, mas até a água que lhes é fornecida é desmineralizada, Por isso os animais lambem pregos e material metálico das celas e até mesmo sua própria urina.

O sofrimento do bezerro


Visitar uma área de criação de vitela é como estar em um campo de concentração infantil. Os novihos olham para os visitantes e se aproximam como quem pede ajuda. Tentam sugar dedos ou pedaços de roupas, enchem os olhos de lágrimas e emitem sons guturais estranhos. Esse sofrimento não dura mais que três meses, quando já estão prontos para o abate. São então levados para um local onde são cruelmente mortos , em geral com um corte profundo na jugular, para perder todo o sangue lentamente.

Paladar refinado?

Todo ano, só nos EUA cerca de um milhão de bezerros são mortos para servir aos refinados apreciadores de uma boa carne.(!?!)

O hábito de comer vitela começou provavelmente quando vacas grávidas morriam e serviam de refeição. Percebeu-se que o feto tinha uma carne de textura muito tenra. Depois vieram os métodos para manter a carne do bezerra macia por mais tempo. Por isso hoje se consegue essa façanha com animais de até três meses de idade.

Muitos deles morrem antes de completar três meses de nascidos, alguns por infecções (uma vez que seu sistema imunológico é frágil devido à anemia), outros por doença de causa desconhecida. Apresentam diarréias constantes e ficam cada vez mais tristes, até se entregar à morte libertadora. Sua carne, mesmo nesses casos, é direcionada para os restaurantes.

Vitela x produção de leite

É possível entender perfeitamente a origem dessa doença “de causa desconhecida”. Se um bebê humano, imediatamente afastado de sua mãe ao nascer, for amamentado artificialmente, estando preso a um berço que limite os seus movimentos, sem receber carinho de forma alguma, sentindo fraqueza constante, certamente viverá bem menos que uma vaquinha.
A produção de leite também implica crueldade com os animais. Milhares de bezerros são mortos, depois de serem criados em gaiolas minúsculas para que não desenvolvam nem enrijeçam músculos e sejam abatidos e vendidos como se fossem vitelas. Ao tomar o seu “leite”, a pessoa torna-se cúmplice dessa produção e do abate indiscriminado de bezerros.

 

Este texto foi elaborado a partir do Instituto Nina Rosa, Projeto  Esperança Animal e Igualdad Animal e faz parte de meu trabalho como ativista em prol da causa dos  animais.

Há um modo de viver que não seja sobre o sofrimento, a tortura , a violencia contra os nossos companheiros de planeta. Vamos colaborar com nossas ações para mudar este estado de coisas. Você pode ajudar sim!!

Peço que comentem e compartilhem comigo suas reflexões e quem deseje colaborar tenho algumas proposições a fazer.

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Acerca de gaivotanoazul

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2 respuestas a Violência, Tortura,Injustiça e Morte I

  1. Juliana dijo:

    A idéia então é só comer vegetais???
    Mas eles, apesar de não gritarem ou expelirem lágrimas não são também seres vivos??
    É hipocrisia pensar que vegetarianos não promovem sofrimento ou detrimento do direito a vida.
    Vamos pensar melhor sobre isso!!!
    Sejamos mais coerentes em admitir que não é o fato de comer ou não alimentos de origem vegetal, simplesmente, que resolveria o problema dos atos cruéis cometidos no abate dos animais.
     
     

  2. gaivota dijo:

    "Sejamos mais coerentes em admitir que não é o fato de comer ou não alimentos de origem vegetal, simplesmente, que resolveria o problema dos atos cruéis cometidos no abate dos animais".
    Mas é claro que faz toda a diferença comer alimentos vegetais que de fato são alimentos, do que os animais, seres que tem um sistema nervoso altamente sofisticado, com consciência, memória, capacidade afetiva, relações sociais e familiares. Não é hipocrisia de modo algum. Hipocrisia é querer justificar os atos cruéis contra os animais fazendo esta tosca comparação com os vegetais. Faz muita diferença sim, parar de comer os cadáveres dos animais e promover a conscientização do maior número de pessoas. Afinal, a maioria nem tem a mínima consciência do mal que praticam, seja porque são movidos por padrões de consumo que não quer questionar, seja por egoísmo, frieza, comodismo ou simples indiferença.
    Sejamos mais coerentes em admitir que não é o fato de comer ou não alimentos de origem vegetal, simplesmente, que resolveria o problema dos atos cruéis cometidos no abate dos animais.
    E é claro que resolve sim, porque cada pessoa que se conscientiza e renuncia a esses atos cruéis protege inúmeros seres e esta consciencia ao longo dos anos se fará sentir. Pense nisso…

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